6 de dez de 2011

PRINCIPIOS DE HERMENÊUTICA

Texto Base: Lc. 24.27 DEFINIÇÃO: • A palavra Hermenêutica provém da palavra grega “hermeneutike” que, por sua vez, se deriva do verbo hermeneuo, significando: a arte de interpretar os livros sagrados e os textos antigos. Segundo a história Platão, foi o primeiro a utilizar essa palavra. A hermenêutica forma parte da Teologia exegética, ou seja, a que trata da reta inteligência e interpretação das Escrituras. • Hermenêutica bíblica é a disciplina da teologia exegética que ensina as regras para interpretar as Escrituras e a maneira de aplicá-las corretamente A hermenêutica como ciência é: a) Objetiva - Pois está fundada em fatos concretos, isto é na verdade bíblica; b) Racional – Pois é constituída de conceitos, juízos e raciocínios, e não por sensações e imagens; c) Analítica – Pois em virtude de abortar , um fato, processo ou situação de interpretação, ela decompõe o todo em partes componentes e relacionadas entre si. Isto quer dizer que a hermenêutica ao analisar um texto, disseca-os em partes a fim de que o todo seja compreendido; d) Explicativa – Em virtude de ter como finalidade explicar os fatos em termos de leis, e as leis em termos de princípios, ela é tanto descritiva como prescritiva. Como descritiva explica o que é o texto (seu significado) enquanto prescritiva determina qual deve ser nosso comportamento mediante a interpretação fornecida – o que é o texto. 1) 4 REGRAS BÁSICAS NO ESTUDO CORRETO DA BÍBLIA 1.1. OBSERVAÇÃO – que responde a pergunta: Que vejo? Aqui o estudante aborda o texto como um detetive. Nenhum pormenor é sem importância; nenhuma pedra fica sem ser virada, cada observação é cuidadosamente arrolada para a consideração e comparação posteriores. 1.2. INTERPRETAÇÃO – que responde a pergunta o que significa? Aqui o intérprete bombardeia o texto com perguntas como: que significavam estes pormenores para as pessoas às quais foram dados? Porque o texto diz isto? “Qual a principal idéia que ele está procurando comunicar? 1.3. CORRELAÇÃO – que responde a pergunta “como isto se relaciona com o resto da Bíblia? 1.4. APLICAÇÃO – que responde a pergunta “que significa para mim?” Esta é a meta dos outros três passos. Um especialista nessa área disse-o sucintamente: “Observação e interpretação sem aplicação é aborto”. 2) OS PROBLEMAS DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA 2.1. O abismo cronológico - o tempo 2.2. O abismo cultural – o costume 2.3. O abismo lingüístico – a linguagem 2.4. O abismo geográfico – o lugar 2.5. O abismo literário – o estilo de escrever/ forma de escrever 2.6. O abismo sobrenatural – o divino 3) AS REGRAS DE INTERPRETAÇÃO SE DIVIDEM EM 4 CATEGORIAS: 3.1. Princípios gerais da Interpretação – São os que tratam da matéria global da interpretação. São universais em sua natureza, não se limitando as considerações específicas, incluídas estas nas outras três seções. 3.2. Princípios Gramaticais de Interpretação – São os que tratam do texto propriamente dito. Estabelecem as regras básicas para o entendimento das palavras e sentenças da passagem em estudo. 3.3. Princípios Históricos de Interpretação – São os que tratam do substrato ou contexto em que os livros da Bíblia foram escritos. As situações políticas, econômicas e culturais são importantes na consideração do aspecto histórico do seu estudo da Palavra de Deus. 3.4. Princípios Teológicos de Interpretação – São os que tratam da formação da doutrina cristã. São, por necessidade, regras “amplas”, pois a doutrina tem de levar em consideração tudo o que a Bíblia diz sobre o assunto. 4) O QUE É NECESSÁRIO PARA UM ESTUDO PROVEITOSO DA BÍBLIA 4.1. ser amante da verdade – I Ped. 2.1,2 4.2. ter um espírito respeitoso – Sl. 119; Is. 66.2; I Ts 2.13 4.3. ser paciente no estudo – At. 17.11 4.4. ler com oração, devagar, meditando na sua mensagem – Sl. 119.18 4.5. dependência do Espírito Santo – Jo. 16.13,14 (A Bíblia é a espada do Espírito Ef. 6.17) 4.6. conhecimento das línguas originais da Bíblia – (grego e hebraico). Martinho Lutero costumava dizer que o estudo da Bíblia era, para ele, algo parecido com o processo de colher maçãs na própria árvore. Primeiro sacudia toda a macieira para que caíssem as maçãs maduras (estudo de toda a Bíblia). Depois sacudia na árvore e sacudia cada galho principal (cada livro). Em seguida sacudia um galho após o outro (capítulos), e daí passava a sacudir os galhos menores (versículos e orações gramaticais). No final, vasculhava debaixo de cada folha caída da macieira (estudo da palavra isolada), para ver se sob elas havia maçã escondida. Que belo exemplo a ser seguido por nós crentes e amantes da Palavra de Deus, façamos isto e nosso estudo será proveitoso, e assim seremos levados a fonte de riqueza espirituais que só existe na Santa Bíblia. Não se desanime no estudo constante da Bíblia, Ela é a infalível e inerrante Palavra de Deus, nela não há falhas, se alguma falha for encontrada na Bíblia, sempre será pelo lado humano, tal como tradução mal feita, grafia inexata, interpretação forçadas, etc. Quando encontramos na Bíblia um trecho discrepante, não pensemos logo que é um erro. Nesse caso vamos refletir como Agostinho que disse: “Num caso desse, deve haver erro de copista, tradução mal feita do original, ou então sou eu mesmo que não consigo entender”. 5) O PROPÓSITO DA HERMENÊUTICA A hermenêutica propõe-se a auxiliar o obreiro, e a qualquer estudante da Bíblia, a usar métodos de interpretações confiáveis, além de estabelecer os princípios fundamentais da exegese bíblica, como base para o estudo do texto na sua diversidade lingüística, cultural e histórica. 5.1. CORRELAÇÃO ENTRE HERMENÊUTICA, EXEGESE E EISEGESE • A hermenêutica precede a exegese. Esta por sua vez vale-se dos princípios, regras e métodos hermenêuticos em suas conclusões e investigações; • Exegese é a aplicação dos princípios hermenêuticos para chegar a um entendimento correto sobre o texto. É o estudo do sentido literal do texto. Refere-se a idéia de que o intérprete está derivando o seu entendimento do texto, em vez de incutir no texto o seu entendimento; • Eisegese consiste em manipular o texto para dizer o que o texto não diz. Injeta em um texto, alguma coisa que o intérprete quer que esteja ali, mas que na verdade não faz parte do mesmo. Em última instância quem usa a eisegese força o texto mediante várias manipulações, fazendo com que uma passagem diga o que na verdade não se ache lá. As funções da hermenêutica e da exegese bíblica são: 5.1.1. Traduzir o texto original, tornando-o compreensível em língua vernácula, sem sangrar o sentido primário; 5.1.2. Compreender o sentido do texto dentro de seu ambiente histórico-cultural e léxico-sintático; 5.1.3. Explicar o verdadeiro sentido do texto, em todas as dimensões possíveis (autor, audiência, condições sociais, religiosas etc); 5.1.4. Tornar a mensagem das Escrituras inteligível ao homem moderno; 5.1.5. Conduzir-nos a Cristo. 6) FORMAS PELAS QUAIS O INTERPRETE PRÁTICA A EISEGESE 6.1. Quando força o texto a dizer o que não diz; 6.2. Quando ignora o contexto sob pretexto ideológico; 6.3. Quando ignora a mensagem e o propósito principal do livro; 6.4. Quando não esclarece o texto à luz de outro 6.5. Quando põe a revelação acima da mensagem revelada. 7) A REGRA FUNDAMENTAL DA HERMENÊUTICA A Bíblia explica a si mesma, ou seja a Bíblia interpreta a própria Bíblia: a) Pelo seu conteúdo e ensino geral; b) Pelo ensino geral de cada livro do escritor; c) Pelo conhecimento e leitura contínua do Santo Livro de Deus, sempre na dependência e inspiração do querido Espírito, que é o intérprete da Bíblia – vide Jo.14.26; 16.13; II Tm.3.14-17; d) Pelo conhecimento que temos dos seus ecritores. 8) PRINCIPAIS REGRAS DA HERMENÊUTICA 8.1. Os exemplos bíblicos só tem autoridade quando amparados por uma ordem. Ao ler a Bíblica, fica evidente que você não está obrigado a seguir o exemplo de cada pessoa que protagoniza os acontecimentos nela citados. Até para seguir os melhores exemplos o crente deve ter discernimento espiritual. Tomemos por exemplo a pessoa do nosso Amado Mestre – segundo o costume oriental Jesus usava vestes longas e alparcas, normalmente andava a pé, quando dirigiu, foi montando num jumentinho. Nunca se casou, e nunca saiu dos limites de seu país (exceto na infância, quando seus pais fugiram para o Egito) logo não se deve espera que você imite Cristo nessas áreas. É necessário evitar os excessos. Logo exemplos tirados da vida de Jesus ou de seus seguidores, não apoiados por ordens, tem valor relativo. - Um exemplo bíblico pode confirmar o que você pensa que o Senhor está induzindo você a fazer – se por exemplo você decide ficar solteiro, sentindo que Deus assim o quer, esse seu desejo tem apoio bíblico haja vista que Jesus nunca casou. - Um exemplo bíblico pode ser rica fonte de aplicação à sua vida – se você ler Mc.1.35: “Tendo-se levantado alta madrugada, saiu (Jesus), e foi para um lugar deserto, e ali orava”. Depois de refletir e orar, você chega a conclusão que Deus deseja que você ore todos os dias pela manhã, bem cedo. Essa aplicação trará benefícios a sua vida espiritual. É de sua importância salientar que, você não pode querer que outras pessoas ajam como você, pois aí você estaria quebrando essa importante regra da hermenêutica, pois estaria tratando isso como se fosse uma ordem. 8.2. O propósito primário da Bíblia é mudar nossas vidas, não aumentar nosso conhecimento – II Tm.2.16,17 Necessário se faz dada não sermos espertos como o diabo, mas nos tornamos santos como o Senhor nosso Deus – I Ped. 1.15,16 lembremos que o diabo conhece muito bem a Bíblia, e é capaz de citá-la melhor que o mais erudito dos pregadores. Ele passaria com facilidade em qualquer faculdade de teologia, porém tal conhecimento não é de nenhum valor, haja vista o seu coração ser mau e perverso, jamais podendo obedecer a Deus. Primeiro o Senhor Jesus deseja nossa transformação e depois o conhecimento. 8.3. Interprete a experiência pessoal à luz da Bíblia e não a Bíblia à luz da experiência pessoal – Is.8.20 Com quanto nossas experiências se constituem na evidência do que o Senhor nosso Deus esteja fazendo em nosso favor, elas jamais devem tomar o lugar das Sagradas Escrituras, a palavra de Deus sempre teve a primazia, haja vista ser ela nossa regra de fé e conduta. Vide exemplo: II Cr.16.12: “Asa caiu dos pés ; contudo na sua enfermidade não recorreu ao Senhor, mas confiou nos médicos”. Imagine que você esteja doente, e sente em seu coração de não tomar mais remédios, e não procurar mais seu médico, crendo que Jesus vai te curar, dentro de poucos dias você sente que a doença se foi, de repente você depois de curado sobe no púlpito e com base na sua experiência começa a dizer para os irmãos que eles não devem mais tomar remédios e nem procurar os médicos, e cita a passagem em apreço esperando que os outros irmãos sigam o seu exemplo, você com certeza estará quebrando uma importante regra de interpretação da Bíblia. Por esta razão, devemos ter cuidado que a experiência intérprete as Escrituras, quando a interpretação das Escrituras é que deve moldar a nossa conduta e as nossas experiências. 8.4. É de todo necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase. Dos exemplos que oferecemos a seguir, ver-se-á como varia segundo a frase, texto ou versículo, o significado de algumas palavras muito importantes, acentuando assim a importância desta regra. Exemplos: FÉ, SALVAÇÃO, SALVAR, GRAÇA. - FÉ: a palavra fé, ordinariamente significa confiança; mas tem outras acepções. - FÉ: significa base do perdão e justificação – Rm. 3.28,30; Gl.3.8; - FÉ: como crença ou doutrina do evangelho – Gl.1.23; Cl.1.23; 3.2; - SALVAÇÃO, SALVAR – essas palavras são usadas freqüentemente no sentido de salvação do pecado. Porém aparece nas Escrituras com outros significados: a) At.7.25 – aqui tem o sentido de liberdade temporal; b) Rm.13.11 – equivale a vinha de Cristo; c) Hb.2.3. – significa toda revelação do evangelho; d) Êx.14.13, 15.2. – significa livramento; e) Tg.5.15. – significa cura da enfermidade. - GRAÇA – favor não merecido, mais que Deus livremente nos concede – vide Ef.2.7,8 a) Graça como justificação – Tito3.7; Rm.3.24; b) Graça com palavra do evangelho – At.14.3.; c) Graça caminhada – II Co.12.9. 8.5. Trabalhe partindo da pressuposição que a Bíblia tem autoridade. Ao procurar submeter-se ao que dizem as Escrituras, é importante entender que na Bíblia a autoridade é expressa de várias maneiras: a) Uma pessoas age como quem tem autoridade, e a passagem explica se o ato é aprovado ou reprovado – vide Gn.3.4; II Sm.7.3. cf. com II Sm 7.4-17; At.15 cf com Gl.2.11.12; b) Uma pessoa age com atitude de autoridade e a passagem não mostra nem aprovação nem reprovação – vide o caso de Abraão e Sara – Gn.12.10-20 – você terá de decidir se Abraão errou ou não com a atitude que ele tomou na referida passagem bíblica, e é precisamente este o interesse todo da interpretação da Bíblia. 8.6. É preciso o quanto seja possível, tomar as palavras em seu sentido usual e comum. Exemplos: a) Gn.6.12 – aqui carne significa pessoa e caminho significa costume, modo de proceder ou religião; b) Lc.1.6,9 – Casa de Davi significa família ou descendência. Devemos lembrar que o sentido usual e comum nem sempre equivale ao sentido literal, em outras palavras, o dever de tomar as palavras e frases em seu sentido comum e natural não significa que sempre devem ser tomadas ao “pé da letra”. 9) HEBRAÍSMOS Por hebraísmo entendemos certas expressões e maneiras peculiares do idioma hebreu que ocorrem em nossas traduções da Bíblia, que originalmente foi escrita em hebraico e grego: Tendo conhecimento disso, nos será de grande auxílio na interpretação da Bíblia. Exemplos: a) Era costume dos hebreus chamar a uma pessoa filho da causa que de um modo especial a caracterizava, de modo que ao pacífico e bem disposto chamava filho da paz;ao iluminado e entendido filho da luz; aos desobedientes, filhos da desobediência – cf. Lc.10.6; Ef.2.2; 5..6-8. amar e aborrecer eram usados para expressar preferência de uma coisa a outra – Lc.14.26; Mt.10.37; Rm.9.13. 10) SIMBOLOS Os símbolos na Bíblia são riquíssimos e variados, é muito importante termos conhecimento deles para uma correta interpretação da Bíblia. Vejamos: 1) Árvores – as altas os governantes – Ez.31.5-9; as baixas símbolos do povo comum – Ap.7.1; 8; 2) Céus abertos e portas e janelas do céu – benção e proteção de Deus para os seus servos fiéis, e também juízo para os infiéis – Gn28.17; Ml.3.10; Ap.4.1; 19.11; 3) Estrelas – os pastores, Jesus Cristo – Ap.2.28; 22.16; 4) Sol – Deus – Sl.84.11; 5) Mulher – a nação israelita – Ap.12.1; 6) Luz – o caminho do justo – Pv.4.18; 7) Braços – força e poder; braço estendido – símbolo de poder em exercício – Êx.6.6; 8) Mãos – atividades, poder, ajuda, comunhão; 9) Mão direita – símbolo de honra e distinção, poder apoio e proteção – Êx.15.6; 10) Mãos abertas¬ –liberalidade; 11) Mãos levantadas contra outro – rebeldia – II Sm. 20.21; 12) Mãos limpas – alto puros e justos – I Tm.2.8; 13) Mãos sobre a cabeça de alguém – símbolo de transmissão de benção – Gn.48.14-20; 14) Pomba – símbolo do Espírito Santo – Mt.3.16; 15) Pão – símbolo de Cristo – Jo.6.48; 16) Pés firmados na Rocha – estabilidade – Sl.40.2; 17) Pés colocados num lugar amplo – liberdade – Sl.31.8; 18) Pés mergulhados no sangue – vitória – Sl.68.23; 19) Pés mergulhados no azeite – abundância – Jó.29.6; 20) Pés escorregando – ceder a tentação – Jó.12.5; Sl.38.16; 21) Pés descalçados – luto – II Sm.15.30; 22) Lavar os pés – ato de hospitalidade e humildade – Gn.18.4; Jo.13.14,15; 23) Fogo – símbolo da palavra – Jr.23.29; 24) Azeite – a unção do Espírito Santo; 25) Chave – Autoridade – Ap.1.18;3.7. CONCLUSÃO: Amado irmãos em Cristo Jesus, nosso desejo sincero é que é você se dedique ao estudo constante da Palavra de Deus, e sempre com a ajuda do Espírito Santo possa interpretar a Bíblia de maneira correta para edificação da tua vida espiritual. Que Deus abençoe sua vida para louvor de sua glória em Cristo Jesus. A Ele seja a honra, a glória e o louvor, não só agora como no dia da eternidade. Amém!!!

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